Aparício Ribeiro

A volta do sonho violeiro

Estávamos, desde a manhã, reunidos no quintal de casa, a família inteira: mulher, filhos, genro, noras e netos. Para completar a alegria, alguns amigos também eram presentes.

Ora, todos sabem que essas reuniões são regadas a cervejas, refrigerantes, sucos, drinques mais encorpados, e até água. Para completar a farra, petiscos, comidas saborosas, boa prosa, piadas de salão e, claro, música.

Tudo estava bem naquela tarde de um domingo, de abril de 2015, quando o neto de seis anos convoca o vovô atleta: “vovô, vamos jogar bola”. Diante daquele apelo infantil, emoldurado por um sorriso aberto e franco, fui.

O campo era um corredor de aproximados três metros de comprimento por um metro e meio de largura.

Chovera há poucos minutos aquela chuva pesada, encharcada e passageira. Nosso campo estava escorregadio.

Meus chutes bem colocados (velhos tempos) e as defesas mirabolantes do neto que rolava no piso prá agarrar a bola. Depois de meia dúzia desses petardos, o vovô atleta escorregou e na queda apoiou a mão e punho esquerdos no piso. Fatalidade!… Fratura daquelas feias no punho. Foi um corre-corre danado. Os primeiros socorros foram água de sal, compressa e faixa para imobilização do punho.

O fato se deu no final da tarde, quando a maioria dos convidados já tinha se retirado. Fui levado ao hospital, medicado e voltei com o braço esquerdo engessado por inteiro.

No dia seguinte me dei conta da desdita: não posso tocar viola, e agora!?

Depois de uma semana com aquele estorvo no braço, consultamos outro médico que me aconselhou cirurgia reparadora. A cirurgia, implante de uma placa com doze parafusos, foi realizada a contento; não mais engessou o braço e depois vieram as sessões de fisioterapia.

O tempo foi passando devagar, moroso e sem sabor; eu estava afastado da viola, aquela que me acompanhava no dia a dia, alentando meus ouvidos com seu timbre único e peculiar; aquela que me ajudava a compor minhas modas. Será que voltarei a tocá-la de novo? Só Deus e o tempo podem dar a resposta.

Decorridos cinco meses do fato, numa certa manhã levantei-me com o pensamento fixo na ideia de pegar a viola e tentar uns ponteados.

Com muita dificuldade, aquela de quem está aprendendo a tocar, coloquei os dedos entre os trastros da danada e formei um acorde. Toquei com a mão direita aquelas cordas e saiu um som truncado, abafado! Foi o reinício de tudo, daí em diante peguei a viola todo o dia e fui forçando até conseguir tirar um som mais limpo.

Nesse meio tempo, a dupla, Volmi Batista e Aparício Ribeiro e banda, foi contratada para uma apresentação em Patos de Minas, no dia 20 de setembro de 2015. Fomos, tocamos e, modéstia à parte, fizemos sucesso.

Havia, também, agendada outra apresentação, em Patos de Minas, para o dia 30 de outubro de 2015: Aparício Ribeiro e banda, com o show Trilhas de Minas; os músicos participantes todos de lá, exceto o baixista.

Dez dias antes, fiz as malas e lá fui eu, novamente, para a minha cidade, onde me encontrei e ensaiei com aqueles músicos durante uma semana inteira.

A apresentação ou o show, como dizem, foi um sucesso absoluto, tocamos e cantamos bonito a ponto de tirar aplausos calorosos da plateia e pedido de mais uma.

No dia 13 de dezembro de 2015, a dupla Volmi Batista e Aparício Ribeiro, participou tocando e cantando no XIV Encontro de Folia de Reis do DF, realizado na cidade satélite de Brazlândia.

A dupla também tocou dia 20 de dezembro de 2015, encerrando a mostra musical do Seminário Nacional Funarte, Cadeia Produtiva da Música e Viola Caipira, realizado no Espaço cultural Funarte Brasília, de 18 a 20 de dezembro de 2015.

Pois é, fiquei meio ano de 2015 sem tocar viola, voltei em setembro e até dezembro fiz(emos) quatro apresentações memoráveis. Valeu o esforço.

Estou muito feliz por ter voltado à função de violeiro e cantador; agradeço a Deus, a minha família e a todos os que me ajudaram nessa volta.

Que o Ano Novo nos seja generoso.

…E viva o Brasil!

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